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[Livro] – Ensaio sobre a Cegueira

Tô uma leitora tão mas tão aplicada que hoje já vim falar de outro livro, “Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago, que demorei um tempão pra ler (que vergonha), mas finalmente concluí e olha, me faltou o fôlego muitas vezes.
A história começa relatando o caso de uma cegueira branca em um motorista qualquer, esse mal se espalha incontrolavelmente, basta você ter estado no mesmo ambiente que o cego. Com o descontrole chegando a altos níveis os cegos são levados a uma quarentena, onde são reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. Falta água, falta comida, higiene e modos. Homens e mulheres perdem sua identidade e se perdem em si, seus nomes já não importam mais, suas vidas já não importam mais, são apenas cegos. Lucidez, verdade, moral, tudo isso não existe mais em um mundo onde ninguém governa, ninguém tem ideia de porque isso acontece e ninguém sabe quando isso vai acabar.
Ensaio Sobre a Cegueira
Saramago narra de uma forma visceral, complicada, profunda. O texto só possui parágrafos (todas as obras que eu li dele são assim), os diálogos são inseridos no meio do contexto (sem travessão, sem dois pontos) e você tem que parar e mergulhar nas palavras para poder compreender o que ali se passa.
Aos poucos você se acostuma com essa forma de narrativa, mas se envolve, cega, imagina a quarentena como um hospício (na minha concepção parecia um) e vai se apegando aos personagens, vendo-os definhar de uma forma triste e terrível.
O próprio autor fala sobre a obra:

“Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”

Uma das partes que mais me tocou diz assim: “Lutar foi sempre, mais ou menos, uma forma de cegueira, Isto é diferente, Farás o que melhor te parecer, mas não te esqueças daquilo que nós somos aqui, cegos, simplesmente cegos, cegos sem retóricas nem comiserações, o mundo caridoso e pitoresco dos ceguinhos acabou, agora é o reino duro, cruel e implacável dos cegos, Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego, Acredito, mas não preciso, cego já estou, Perdoa-me, meu querido, se tu soubesses, Sei, sei, levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma, e se eles se perderam”. Esse diálogo foi travado pelo médico (oftamologista) e a mulher dele, incrivelmente a única a não ficar cega.

Eu recomendo a todos a leitura do livro, não é fácil, mas faz conhecer um pouco de nós todos, que sim, somos cegos.

A obra virou filme, que aliás eu já vi e é muito bom, mas o livro ainda consegue ser melhor.

Agora em 2014 prometi ler mais e terminar de ler o que tenho em casa parado (acho que tem uns 10 livros ou mais) e eles todos virarão resenha aqui no blog. ;)

Beijinhos

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