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A invisibilidade da mulher gorda na sociedade

Eu não ia escrever sobre isso, eu não queria, mas minha cabeça não deixava de martelar todas as palavras desse texto numa ordem desconexa e eu só consigo respirar aliviada quando o texto sai, ou não. Eu sei que várias meninas maravilhosas já falaram da invisiblidade da mulher gorda na sociedade, mas eu precisava vir aqui dar o meu depoimento, quem sabe um dia a nossa voz é ouvida.

Semana passada eu constatei, mais uma vez, gorda não se veste, ela é esquecida pela grande indústria da moda. Meu irmão vai casar em setembro e eu serei madrinha de casamento, eu sei, ainda faltam quatro meses pro casamento e daria pra estar tranquila e feliz sem precisar endoidar por um vestido, mas sendo gorda, não é tão fácil assim.

invisibilidade da mulher gorda na sociedade

As lojas simplesmente não tem meu número e olha que um 44 (um 44 de verdade, não um 44 que na verdade é 38) me veste. Imagina uma menina que veste 52, deve ser pior pra ela do que pra mim, mas a luta é de ambas, a luta para ser incluída. Nos instagrans de marcas de loja de roupa de festa só tem modelo magra, só tem vestido com recortes pra gente magra, muito magra.

Eu fico pensando se minha cunhada tivesse escolhido uma cor específica para as madrinhas, eu certamente já teria arrancado todos os cabelos da cabeça de agonia porque se já é difícil achar um 44 que me caiba de qualquer cor, imagina um 44 de uma cor específica? E se tem roupa, é roupa de senhora de 60 anos. Eu tenho 30 poxa, eu gosto de moda, eu gosto de me vestir, eu quero estar linda no casamento do meu irmão, mas as lojas e os tamanhos me fazem odiar meu corpo, me fazem achar a busca de um vestido lindo para um dia extremamente feliz, um verdadeiro suplício.

E se a busca por um vestido não fosse o suficiente para eu me sentir excluída, tem todas as outras variáveis de ser gorda. Gorda não malha. Se você me segue no instagram você vê fotos minhas na academia, eu malho, eu malho sim. Eu não amo malhar não, mas eu amo minha perna estar mais definida sim, amo ver as melhorias no meu corpo e semana passada eu ouvi: “E aí, tá gostando da academia? É a primeira vez que você malha né?” Só porque eu sou acima do peso significa que nunca pisei os pés numa academia?! Só porque meu corpo não está nos padrões estéticos impostos pela sociedade significa que eu não me exercito? PORRA! 

Gorda não namora, e se namora o cara tem que ser igualmente gordo, porque Deus me livre uma mulher mais gorda que o namorado né?
Gorda não é protagonista de novela, ela é sempre a melhor amiga solteirona e engraçada da personagem principal, porque gorda tem que ser engraçada, ja que ela não é magra né? Coitada, tem que ser engraçada pra compensar.
Gorda não transa, gorda não come salada, gorda só come fast food, gorda não tem as taxas normais, gorda tem que emagrecer, gorda não dança, gorda não ama, gorda não vai pra balada, gorda não usa vestido curto, gorda não usa biquini, gorda não vai a praia, gorda não anda de salto, gorda não usa bota cano alto (não cabe na perna, quem é gordo sabe), gorda não vai à festas de casamento, tão lindo o rosto mas se emagrecesse…

gorda. é. invisível. 

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Foto: Shutterstock

 

a invisiblidade da mulher gorda na sociedade
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Miss Canadá e os padrões de beleza

Domingo foi um dia, digamos que tumultuado, na internet. Teve eliminação no BBB, SAG Awards e Miss Universo. Confesso que não vi nenhum dos três mas foi impossível passar o dia de ontem imune aos comentários sobre os três assuntos e o que me chamou mais atenção foi toda a polêmica envolvendo a Miss Canadá, Siera Beachell.

Siera é linda, glamurosa, alta e para vários jornalistas é gorda.

Siera Bearchell - Miss Canadá 2016

Veja bem, essa moça acima foi chamada de gorda e os apresentadores da Band, emissora que transmite o concurso no Brasil, disseram que ela estava ali para preencher cotas. Inclusive, essa moça “gorda” chegou no top 9 da competição, mais longe que a nossa Miss Brasil (que é maravilhosa também viu?).

O que eu fico me perguntando é como estamos reproduzindo esses padrões irreais de beleza onde mulheres maravilhosas são chamadas de gorda porque não terem apenas pele e osso, como a maioria das misses? Como ainda em 2017 esse padrão é reforçado em um canal de tv aberta e colocando na cabeça de milhares de meninas que você só é bonita se vestir 36, se sua barriga for chapada e não importa como você chegou nesse peso? Porque implicitamente é isso que é dito, que vale tudo pela magreza, que você deve sim ser igual as misses dentro do padrão e não importa como você alcançou aquele peso, o que importa é que você chegou nele.

Todas as misses estão tão magras que uma mulher de corpo normal parece gorda. E você não pode ser gorda. É feio, te taxam de preguiçosa desleixada que não se cuida.

Siera foi perguntada por repórteres como ela se sentia sendo mais larga que as competidoras do concurso e a resposta dela foi incrível:

“Fiquei quase sem palavras. Pensei: Como me sinto por ser eu mesma?’. Como sentir-se confiante para ser quem eu sou? Como é cumprir o meu sonho de representar o Canadá no Miss Universo? Como é a sensação de ser uma modelo para tantas jovens mulheres que lutam para encontrar alguém para se inspirar? Como é a sensação de redefinir beleza?”.

A resposta dela foi um sopro de alegria no meio de tanta gente preconceituosa. Que a gente se inspire mais em mulheres como Siera.

Você mulher pode ser quem você quiser, não importa o tamanho do seu manequim, se você se sente bem dentro do seu corpo, isso que importa. ;)

 

 

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Para ser dois, a gente precisa saber ser um

A gente ‘aprende’ muita coisa sobre relacionamento com a mídia. São novelas, filmes, propagandas, músicas, revistas, blogs e outros meios de comunicação, nos ensinando como amar e que precisamos ter alguém na vida para nos tornarmos completos. Uma das grandes responsáveis pela fantasia de um príncipe encantado é a Disney, que imprime a ideia de que o final feliz só chega com o príncipe (e o cavalo branco, de preferência).

Ouvimos, vemos e lemos a todo tempo que precisamos da meia furada, da tampa da panela, a metade da laranja, ou qualquer metáfora que caiba aqui.

A projeção de felicidade no outro nos transforma em carentes e nos faz colocar a ‘culpa’ dos relacionamentos falidos no outro. Não deu certo porque o outro era assim, não deu certo porque o outro era assado. Não deu certo porque ele(a) não mudou. Quem nunca pensou/ouviu/falou isso alguma vez na vida?

relacionamento

Foto: Shutterstock

 

Existe também a leva das pessoas que se lamenta e culpa a infelicidade de suas vidas porque não tem ninguém. Que senta e espera que outra pessoa chegue para trazer felicidade. A necessidade intrínseca de ter alguém, de procurar completude, transforma o ser humano em um carente de afeto e carinho. Alguém que é incapaz de sentir felicidade por suas conquistas e que aposta toda a felicidade apenas naquela vida a dois.

A cada relação frustrada o sentimento de impotência e infelicidade toma conta das pessoas que acreditam piamente que um relacionamento amoroso vai salvar a sua vida. Que sim, tem alguém que vai ser aquela metade que faltava para os dias serem coloridos.

A teoria de: ‘preciso de alguém que me complete’ é a mais furada do universo.

Alguém que não aprende a se amar primeiro, não vai ser 100% aberto para amar o outro. Alguém que não se conheça, não se entenda, não resolva suas questões pessoais, não vai conseguir ser dois.

Nenhum relacionamento é perfeito, não existe conto de fadas, nem príncipe encantado e cavalo branco custa caro para ter e manter viu? Ninguém encontra felicidade no outro, a felicidade está em você primeiro. Seja você primeiro completo, se ame primeiro e mais que tudo. Aprenda a entender seus defeitos e suas qualidades, encontre o seu lado bom, encontre a sua felicidade.

Muitas vezes a gente procura, endoida, se desespera por um relacionamento amoroso, achando que está faltando algum pedaço da nossa vida quando estamos solteiros, mas muitas vezes o pedaço que está faltando é dentro de nós.

Para ser dois, a gente precisa ser um.

E quando o amor chega, ele não completa não, ele esborrota, transborda e é lindo. :)

Beijinhos!

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Porque não me animo mais com as coleções especiais das fast fashions

Fast fashions como C&a e Riachuelo fazem várias coleções especiais parcerias com grandes grifes e hoje eu não me animo mais com elas. Fazia um tempão que queria falar sobre isso aqui e finalmente sentei pra escrever. Se quiser entender o motivo do meu desânimo, continue lendo o post. ;) 

Eu não me lembro bem a primeira coleção especial de Fast Fashion que realmente me fez sair de casa e ir até uma loja pra tentar pegar alguma roupa, acho que foi Cris Barros para Riachuelo, lá em 2011 (inclusive fiz post aqui no blog sobre ela) que trouxe peças realmente bem acabadas, inclusive uma das blusas que comprei está comigo até hoje e não dá sinais de que vai se acabar tão cedo. 

Veja bem, faz seis anos que comprei a blusa e ela ainda está por aqui. Quanto tempo dura uma peça de roupa no seu armário hoje em dia? Pois é, dá pra perceber que a qualidade dessa coleção foi bem satisfatória. 

Hoje, quase seis anos depois, várias coleções especiais já passaram pela C&a e Riachuelo, inclusive Stella McCartey que teve um famigerado casaqueto de paetês a R$499,00 e que gerou discussão aqui no blog, não consigo mais me animar nem tenho paciência pra sair de casa e enfrentar uma loja lotada para disputar peça de roupa de uma coleção especial. 

Na época da Stella McCartney para C&a eu me recusei a pagar R$500,00 em um casaqueto de paetês porque quer queira ou que não a peça continuaria sendo C&a (esse ainda é meu ponto de vista até hoje) e que não valeria o preço, no famigerado post no blog vários comentários falavam era qualidade Stella McCartney a preço mais barato que uma peça comprada na loja da grife. 

Daí fica o meu maior argumento para não sair mais de casa hoje: cada vez mais a qualidade das peças dessas coleções é menor e o preço é maior. 

Já vi em várias peças que tinham iguais no aliexpress, peças que na coleção especial tinha de duas cores e na linha normal da loja tinha de outras cores com um preço mais acessível, peças mal acabadas, peças com tecidos fajutos, peças com caimento ruim e por aí vai. 

Será que vale mesmo se desesperar por uma peça dessas coleções especiais que às vezes possuem qualidade péssima? 

Não podemos esquecer que a produção de fast fashion é feita em massa e isso barateia muito o custo, além de algumas vezes rolar um trabalho escravo por trás dessa produção. Imagine quanto o empresário por trás daquela marca está levando em cima de você que se desespera para ter uma peça “grifada” e baixa qualidade. 

Lembre também que essas coleções são grandes jogadas de marketing por parte das fast fashions e das grifes para aumentar as vendas e induzir o consumo. Produção em larga escala à preço baixo, distribuição nacional das peças, lucro altíssimo. 

Em tempos de consumo consciente, é de se refletir. ;) 

 

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Quando o ter passou o ser

Não percebi exatamente quando as pessoas substituíram o “ser” pelo “ter”, talvez eu tenha tentado ignorar alguns episódios quando criança, estudando em uma escola particular tradicional da cidade quando os coleguinhas ficavam comparando os carros dos pais e o do meu era um fusca na época e talvez eu tenha recebido olhares tortos por causa disso. Pra mim, não fazia diferença, eu não entendia. Era só um carro, que levava a gente de um lado pro outro. A gente tinha um meio de transporte, por si só isso já era suficiente. 

Continuei anos sem me importar. Com a bolsa de marca, o tênis da moda, a calça do momento. Não lembro se passei ilesa às tentações do consumismo (mãe se você tiver lendo isso, pode me denunciar nos comentários), mas entendo que de uns anos pra cá percebi que gosto sim de comprar coisas boas e duráveis, afinal, meu dinheiro não nasce em árvores, mas não entendo a fixação em ter tudo que está na moda para aparentar ser uma pessoa descolada ou que tenho muitas posses

Eu curto uma maquiagem gringa que é mais cara, minha vaidade, o que me permito desembolsar mais dinheiro simplesmente porque dura mais pra mim. Minha última base de festa demorou dois anos e valeu cada centavo do que gastei. Compra inteligente. 

Mas estou desviando o foco do texto, começo falando de maquiagem e me perco, desculpa a pessoa meio aleatória que sou. 

De uns anos pra cá eu comecei a viajar, ainda não viajei o tanto que queria (e acho que talvez nem consiga viu, o mundo é grande demais), mas vivi boas e inesquecíveis experiências e cada volta da viagem eu percebia uma pergunta mais frequente: “e aí comprou o que?” Eu já até fiz um post sobre isso aqui, mas cá estou eu novamente batendo nessa tecla.

Quando se tornou mais importante comprar do que vivenciar as coisas?

“Ah mas você foi naquela loja x?” Não
“Ah mas você não trouxe aquele produto incrível que todo mundo está comprando?” Não 

E daí a pessoa esmorece e parece que a minha viagem não teve sentido. Se eu não estourei meu cartão de crédito, não valeu a pena. Se a minha mala não veio cheia de coisas, “viajou pra que então?

Veja bem, eu gosto de comprar sim. Eu troquei de telefone no exterior, comprei câmera, trouxe uma bolsa “de marca” e uma pulseira Pandora. Trago shampoos de fora ($7 dólares, não tem como ignorar quando o mesmo shampoo custa R$70 aqui no Brasil) e faço compras sim, mas muitas são feitas de oportunidade, dólar barato ou compras que já vou programada pra fazer.

Mas eu prefiro te contar dos Museus que visitei, das pessoas diferentes que vi, de tudo que passei, da Brodway ou do Cirque du Solei. Prefiro contar que passei calor/frio, que as pessoas andam apressado ou que são super solícitas. Que em Alcatraz a pessoa se sente presa e que a vista do Cristo Redentor é uma das mais lindas que já vi, mesmo num dia cheio de neblina. Que chorei feito criança quando desci do avião ou que quase perdi minha prima no metrô.

Um dia o shampoo vai acabar, a roupa vai desgastar, o celular vai ficar obsoleto, as maquiagens vão vencer, mas as experiências são o que ficam, pra sempre. ;)