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Para curtir: Assassinato no Expresso do Oriente
Finalmente retomei minhas leituras (vários livros atrasados) e consegui terminar mais um livro de Agatha Christie, um dos mais famosos da escritora, Assassinato no Expresso do Oriente.
A obra tem como pano de fundo o próprio expresso do oriente, trem que liga Paris à Istambul (antiga Constantinopla). No meio da viagem ocorre um assassinato, morre Ratchet, um americano de poucos amigos, com doze facadas. Coincidentemente o detetive Poirot está no trem e investiga o caso, pista a pista até encontrar dois possíveis desfechos, um mais improvável que o outro, aliás.

É mais um policial de Agatha Christie que o fim é imprevisível. Ela vai deixando pistas que nos levam ao assassino ao longo do filme mas que são tão sutis e as vezes improváveis que não acreditamos que aquele será o desfecho.
A leitura é envolvente e muito bacana, mas sou suspeita pra falar dos livros de Agatha pois sou super fã.
Pra quem gosta de livros policiais, é um prato cheio!
Beijinhos
Para Curtir: A Menina que Roubava Livros
Olá galerinha! Me empolguei com o clima melancólico na nossa playlist dessa semana e resolvi embarcar na onda. O Para Curtir de hoje será literário e terá aquele clima frio e tristonho da Alemanha Nazista.
A Menina que Roubava Livros é um romance escrito pelo australiano Markus Zusak e publicado em 2005. A Morte é a narradora que acompanha a trajetória de Liesel, uma menina que, enquanto era levada por sua mãe pra adoção, é surpreendida pela morte do irmão mais novo. Ali é seu primeiro encontro com a narradora. Durante o funeral do seu irmão, percebe que o coveiro deixa cair um livro : “O manual do coveiro”. Este também é o primeiro livro que ela rouba.
Chegando ao seu destino, passa a viver com o casal Hubberman (a firme Rosa e o amável Hans) na rua Himmel. A morte relata com encanto os momentos que a menina passou junto aquelas pessoas. Sua amizade (e amor não nomeado) por Rudy, o encontro de Hans, com Max, o judeu. As brincadeiras, descobertas, travessuras, aprendizado e, principalmente, sua paixão por livros. Roubar livros, nesta história está para além de um ato leviano. É parte do crescimento pessoal, da construção de mundo dela.
É uma trama realmente envolvente. A estrutura da narrativa é bem diferente das convencionais. A narração vai e volta no tempo, como se fosse realmente alguém nos contando um segredo. Aqueles momentos só pertencem à memória da Morte e ela resolveu compartilhar conosco. É esta a impressão que dá. Os personagens são de uma verdade espantosa. Com suas qualidades e defeitos, tudo tão crível que é impossível não se apaixonar por eles.
O clima é sempre sombrio, afinal, estamos no meio da Segunda Guerra Mundial. A característica bondosa dos Hubberman traz alguns momentos de tensão. E os únicos momentos de ‘luz’ são aqueles onde Liesel se permite ser uma menina, quase adolescente , na descoberta do mundo e de seus sentimentos.

Não esperem muitas surpresas para o final. A Morte trata de ‘ceifar’ todas elas, e mesmo assim ficamos presos às suas palavras, que para nossa surpresa, são de um teor filosófico… Como se a humanidade, e todas as coisas pelo que ela passou tenham-na deixado mais humana, mais preocupada, e encantada. Eu que adoro citações, me vi num paraíso de palavras bem articuladas. E se vocês forem sensíveis… Separem lenços para o final (só um aviso, porque eu chorei litros).
Leiam. Apaixonem-se e comentem sobre sua experiência com este livro. Afinal: “Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler.”
Para Curtir: O Crime do Padre Amaro
O Para Curtir de hoje é um “combo livro + filme”. Falarei sobre a obra de Eça de Queiroz “O Crime do Padre Amaro”. Eu li este livro no auge dos meus 14 anos e, na semana passada, um amigo falou tanto do filme que eu resolvi comprar e ver.
Eça de Queiroz foi um escritor português que viveu no fim do século XIX, e resolveu que suas letras iriam chocar a sociedade. Representante do Movimento Realista em Portugal, ele observava as coisas ao redor, as instituições e sua hipocrisia, e resolveu escancarar o que de mais podre havia naquelas relações. A lista de provocações dele ia desde o casamento, incesto, ambição e, principalmente, as estruturas clericais.
Em “O Crime do Padre Amaro”, considerado um dos maiores romances em língua portuguesa, a crítica ficou mais evidente. Podemos pensar, “nossa, mas escândalos com padres, pastores e afins são tão comuns…” Porém, devemos levar em consideração o momento histórico no qual a obra se desenvolveu. É preciso considerar também a forma magnífica como o cotidiano daquele período foi apresentado. A linguagem e os costumes são descritos de forma clara e crua.
No fim do século XIX grande parte da sociedade (principalmente a portuguesa) era dominada pela hierarquia eclesiástica, dessa forma, um livro que denuncia o ‘crime’ cometido por um padre era uma heresia. Bom, Eça de Queiroz nunca se importou em ser um herege…
O livro, conta a história de Amaro um órfão, criado junto a uma marquesa a qual decide que o destino do menino é ser padre. Amaro, desde a infância, é apresentado como um menino ‘astucioso’, que por ter crescido rodeado de mulheres, aprendeu com elas arte de ‘enredar e mentir’. É descrito como um sacerdote sem verdadeira vocação, apenas submete-se às vontades alheias e deixa-se levar. Ingênuo no início, assume todas as falhas de seus pares.

Já ordenado, passa a ser pároco de uma pequena cidade: Leiria. Ali hospeda-se na casa de Joana (amante do seu ‘padre mestre’) e sua filha, Amélia. Esta, uma moça romântica, inocente mas com sensualidade aflorada. Iniciam um romance, que, obviamente, é proibido. A partir daí, as atitudes de Amaro e dos que estão ao seu redor, passam a ditar as regras da vida de Amélia.
Amaro não deseja perder a comodidade que a vida eclesiástica lhe proporciona. Escândalos devem ser evitados a todo custo. Nesse enredo a vida das pessoas passa a ser orquestrada a partir do acaso que o relacionamento entre Padre e Fiel se desenvolve. Não falarei mais, para evitar spoilers.

Em 2003, o filme mexicano com o mesmo título do livro concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Tendo como protagonista Gael García Bernal, o drama também fez um rebuliço na sociedade mexicana, que até se mobilizou contra a produção. Aqui, na visão do diretor Carlos Carrera, a cidade de Leiria transforma-se em Los Reys, para onde Amaro (um jovem e promissor sacerdote), é enviado após sua ordenação. Ali ele se depara com problemas relacionados à relação entre a Igreja (com a Teologia de Libertação) e as guerrilhas, bem como o relacionamento de padres com traficantes da região. Abalado em suas convicções, Amaro ainda encontra o amor de Amélia, uma jovem extremamente dedicada à religião. Entre o filme e o livro, podemos perceber algumas diferenças de personalidade no protagonista. Mas nada que descaracterize a obra de Eça de Queiroz. O comodismo e a hipocrisia ainda estão lá, guiando os passos não só de Amaro, mas de toda a sociedade.
Digno de uma indicação ao Oscar, o filme traz um roteiro bem amarrado. Gosto da edição de imagens também, que condiz com a simplicidade do lugar (em uma fotografia pálida e por vezes sombria, lembrando a condição clandestina dos personagens). Os diálogos são sussurrados como se grandes segredos estivessem (e estão) se expressando a todo o momento. É interessante notar que o contraponto também se molda à regra dominante. Ao fim, a voz de revolta cala-se, adequa-se ao seu bem estar.
Recomendo o filme. Recomendo o livro.
Existem outras obras muito boas de Eça de Queiroz, adaptadas para TV e cinema. Já viram algumas? Se sim, comentem aí! ;)
Para Curtir: Travessuras da Menina Má
Quando Mario Vargas Llosa ganhou o nobel de literatura desse ano, Dani me indicou esse livro do autor pra ler.
Travessuras da Menina Má conta a história de um romance entre Ricardo Somocurcio, peruano que sonha em morar em Paris e a Menina Má, garota que conhece no Peru em 1950.

Ricardito (como é chamado no livro) consegue mudar-se para Paris e arranja um emprego de tradutor da Unesco e reencontra a Menina Má, seu antigo amor de infância, e assim começam um romance, mas não um romance daqueles de contos de fadas, Ricardito, ou bom menino como é chamado pela Menina Má é super apaixonado, enquanto a sua amante é indiferente ao amor, tão indiferente que some várias vezes no decorrer da história e reaparece com uma nova alcunha, como se fosse uma nova pessoa. Achei ótimo ficar esperando e querendo saber se ela iria reaparecer e quando.
O livro tem como pano de fundo algumas cidades Europa, Tóquio e o Peru.
A leitura é envolvente e gostosa, e eu torci fervorosamente pra que o amor entre Ricardito e a Menina má emplacasse.
A descrição das cidades também é fascinante, dá muita vontade de ir morar em Paris. =]
Leitura super recomendada!!!
Beijinhos
Para Curtir: As Brumas de Avalon
As Brumas de Avalon é uma série, de quatro volumes, escrita por Marion Zimmer Bradley e narra a lenda do Rei Arthur através da visão de Morgana, centrando-se nos personagens femininos, mostrando a força da mulher.
Como toda boa história (versão) arturiana, essa série também é envolvente, intrigante e, err… Mágica. Vamos volume por volume:

A Senhora da Magia: O primeiro livro fala principalmente sobre Igraine, casada contra a vontade com o Duque Gorlois da Cornualha e passando por uma série de conflitos e alguns poucos momentos felizes ao lado dele e de sua filha Morgana, ao mesmo tempo em que é pressionada por Avalon a se casar com Uther Pendragon e, com ele, gerar o filho que salvará a Bretanha: o futuro Rei Arthur. A segunda metade do volume O restante do volume se centra na adolescência e juventude de Morgana, levada pela Senhora do Lago para Avalon e treinada para se tornar uma sacerdotisa da Deusa.
A Grande Rainha: A história começa pouco depois da coroação de Arthur como Grande Rei da Bretanha e é focada em Guinevere, a princesa escolhida para se casar com Arthur. Ela é uma cristã fanática, com ideias extremamente patriarcais e um profundo complexo de inferioridade por ser mulher. Guinevere se apaixona por Lancelote, o principal cavaleiro de Arthur. Ela cobra de Arthur que ele se torne o mais cristão dos reis e tenta impor à Corte um estilo de vida cristão cada vez mais radical. Arthur, supondo que o estéril do Casal Real talvez seja ele, permite que Guinevere se torne amante de Lancelote, para dar um herdeiro ao trono.
O Gamo Rei: Na Corte de Arthur, o caso de Guinevere e Lancelote logo passa a ser de conhecimento público, tornando-se piada, pouco depois, em toda a Bretanha. Morgana se casa com o Rei de Gales do Norte e consegue, até um certo ponto, se tornar uma matriarca pagã naquela corte, embora escondida dos cristãos.
O Prisioneiro da Árvore: Guinevere é flagrada por cavaleiros da Távola cometendo adultério com Lancelot, e ambos fogem do reino. A sucessora de Viviane é morta acidentalmente por Mordred. Avalon fica sem uma Senhora do Lago. Mordred, agora homem feito, enfrenta o pai.
Essa série é uma ótima versão, aproveitando muitos fatos inexplorados e criando uma visão nova, até mesmo original. É uma ótima pedida para quem, assim como eu, é encantada pela lenda do Rei Arthur.



